Começe e continue sempre começando!

Penso que o mais dificil é começar algo, mudar a rotina e se habituar com o novo. O velho é mania, te trás de volta pra coisas decididamente abandonadas. Aliado aos começos complexos, tem também a falta de memória, dá gente ficar sempre tendo que se lembrar de coisas já decididas, acertadas… geralmente consigo mesmo. É mais fácil esquecer o que é nosso, do que é dos outros. Por que será, hein? Vivo tentando me lembrar do que já sei faz tempo e agora terei de me lembrar sempre de que já começei.

Um dos meus novos começos planejados é meu blog, retomar as palavras e a inspiração. Muita coisa borbulha na cabeça e é necessário tirar, expandir. Fazer a dor, angústia, melancôlia e a própria alegria ser um impulso motivador pra criar. Esses tempos apesar de dificeis tem sido reveladores, um caminho sem volta talvez. Pensando numa analogia para esse momento eu diria que estou em uma rotatória (não uma bifurcação pq existem mais de dois caminhos) e enquanto não escolho onde entrar, estou em circulos, dando voltas pelos mesmos lugares. Cada vez mais sinto que é hora de dar seta pra entrar.

Logo mais completo 25 anos, (essas marcações de tempo continuam importantes!) 1/4 de século, não é pouca coisa! Quando mais nova visualizava um sentimento bem diferente para esse momento. Chegando aqui, vejo que essencialmete o sentimento é o mesmo. Aquele monólogo interno continua, medos, incertezas, confusões, (guardadas as proporções) mas continuam ai. E na verdade, sempre estarão! Essas coisas me confundem, só que em alguns momentos elas se apresentam mais claras. Acho que é pra acompanhar essa evolução, que eu quero falar/escrever aqui.

Hoje eu começei sem inspiração e sem ter muito a dizer. Esse é o post do primeiro passo. É a faxina após tempos fechado, hora de afastar os móveis e redecorar as palavras. Fico feliz por estar de volta e ter quebrado o ciclo, ter me lembrado de como escrever é bom.

Agora é só me lembrar de continuar sempre começando!

Olhos sempre novos.

Como é que se concebe uma idéia? Em que momento sentimos que já está pronta pro mundo?

As idéias existem no plano dos pensamentos, das ligações mentais que sempre são exatamente como imaginamos. Pra que elas saiam desses planos, pra virar prática partimos pra exteriorização de algo que profundamente, talvez, ainda nem compreendemos direito. São intintos, desejos, visualizacões, sensações. Tudo isso já faz parte de como vc vê a coisa e traze-la pra fora, é como se ela precisasse de nova roupagem. Uma nova camada de sentidos. Mas se uma idéia transformada em prática nasce, cresce e morre em mim, sem que te alcançe, qual o sentido de colocar pra fora?

Pra criar são necessários muitos olhos! Olhos que em cada momento percebam uma coisa, visualizem diferente! Que consigam abstrair o eu que constrói daquele que só observa. Pra que em cada olhar tenham uma nova visão do mundo nele inserido, dos universos ali presentes.

Perceber algo é entender o caminho por qual ele percorre e os pontos pelos quais ele encosta, inclusive, a relação de tudo o que é percebido com a gente mesmo.

A evolução, a lapidação da idéia transformada em mundo real. Antes de se querer dizer é preciso entender o que se quer dizer. São várias camadas de percepção que se completam pra virar um bloco, um todo. Objetivos concisos, mensuráveis! É também saber abrir mão do que se tem, quando aquilo não faz mais parte do objetivo principal.

São sempre as escolhas e voltamos pra isso novamente! E assumir o que se escolhe e abrir mão do resto, por mais que aquilo tenha construido um sentido inicial e exista um apego. Tem que ser pra mim, mas também tem que ser pro outro. O ser pra mim é o que já é, é o processo todo desde a idéia até a libertação, o jogar pro mundo, o plantar da semente… depois disso é preciso terra pra brotar, é preciso mais do que só meus sentidos.

quatro anos

Suave coisa nenhuma fechou mais um ciclo, agora são quatro anos nessa sacola digital. U huuuuuuu! Parabéns pra ele! rs O problema é que eu tenho a memória fraca e não sirvo pra fazer grandes balanços do que ficou pra trás, muitas das coisas que vivi já foram pra gaveta do esquecimento. Maaaaaaaas com essa nova brincadeira séria de pensar no tempo e ficar observando seu movimento, quero tentar entender o que se movimentou por aqui.

É claro! Escrevi muito menos do que deveria. Queria ter feito mais! Algumas idéias se limitaram ao meu caderno velho de páginas amareladas, (também gosto dessa possibilidade analógica, da escrita pelo próprio punho, do tempo que se deixa impresso na cor do papel) outras delas ficaram só em pensamento, não se tornaram nada e se dissolveram na minha mente sem deixar lembranças. Ai, entre o que ficou e o que se perdeu, breves devaneios e pensamentos, partes dessa história vieram pra cá.

Lendo antigos posts consigo fazer uma curta viagem no tempo através desses quatro anos, na verdade, um pouco mais até pq algumas coisas foram retiradas de antigas anotações, escritas antes mesmo da criação desse espaço. Mas enfim, o que será que eu quis dizer com tudo isso? Não sei! Suave coisa nenhuma nunca teve a claridade e um objetivo certo de dizer alguma coisa que fizesse sentido, exterior a mim, obviamente! As palavras escolhidas foram as que mais se aproximavam do sentimento. As tristezas foram mais produtivas que as alegrias, não mais inspiradoras, mas quando se esta na zona de corforto da felicidade existe a tendência de se viver mais do que pensar. (Graças a Deus!)

Ainda que pareça meio depressivo, e talvez até seja, eu vejo uma beleza na tristeza e tenho até um certo gosto por ela exatamente por essa reflexão. O lance é que essa é uma dor poética, uma dor na alma, uma dor em ser e qdo se atinge as camadas mais profundas de você mesmo a dor parece uma chave pra se libertar dela mesma e ai a própria se transforma em calmaria. Não sei se consegui explicar exatamente o que eu queria dizer, mas acho bonita essa tristeza!

Explicar o que eu sinto racionalmente sempre foi tão difícil, mas o sentimento também sempre foi tão complexo e particular e na cabeça sempre ecoou esse abismo da distância entre eu e você. Em certas partes ele existe pq somos dois universos aleatórios, mas em outras a distância foi criação da minha própria mente! Por isso se fez necessário sair da zona de conforto da comunicação e fazer força pra dizer efetivamente o que se passa no meu universo.

Então o grande movimento talvez tenha sido esse, que ainda continua se fazendo entender melhor a cada dia. Entender que é preciso dizer, colocar pra fora de qualquer forma, arrancar de dentro mesmo que doa e que ninguém entenda. E depois de feito isso, é preciso alcançar o outro, estabelecer pontes de comunicação, uma via de duas mãos. Porque não estamos sozinhos, nem precisamos ficar! Acho que é isso que o tempo vem trazendo, a consciência da nossa própria existência.

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Hoje eu ensaiei mais uma vez nossa despedida. Escolhi as melhores palavras e os melhores argumentos, na verdade, talvez foram os piores, mais baixos e sujos escolhidos cuidadosamente pra doer.
Dor que senti em cada ausência, em cada silêncio, em cada desencontro que foram quase todos e me custaram a tal compreenção que ainda não fez sentido pq era só tua e ali eu me perdi e me apaguei.
Hoje me dei conta que já estava sozinha antes desse ensaio e que todo esse sentimento era uma projeção de uma história que deixou de ser. Evaporou! Mas isso já estava posto à mesa, eu que não vi, não queria! Agora eu sei.